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Wednesday, October 27, 2010

"Pay It Forward" Vértice! Uma Explicação Rápida.




Projeto "Pay It Forward"

POR: Mateus Cavarzan

Hoje começa o nosso projeto "Pay It Forward" Vértice!

Farei durante a semana um relatório de como o projeto anda, mas lembre-se que todos nós podemos fazê-lo, basta querer, obviamente. Ele é bem simples, e ao invés de explicar, por que não mostrar?

Grandes Contrastes

O Brasil é um país de grandes contrastes. Do ponto de vista da ação social, muitas pessoas preferem aguardar uma tomada de posição por parte do governo. Outras, pelo contrário, colocam “a mão na massa” e agem Esse é o segredo do voluntariado.





Um dos desafios na atualidade é diminuir as desigualdades existentes no mundo, garantindo a todos o acesso a educação, a moradia, a alimentação e a saúde. Por isso que cada vez mais, empresas, ONGs e organizações estão assumindo o papel que caberia ao Estado. Nesse contexto, o termo responsabilidade social ganha força principalmente no meio empresarial como forma de ajudar a minimizar os problemas que afetam a sociedade em geral


AACD - Associação de Assistência à Criança Deficiente



A Associação de Assistência à Criança Deficiente é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que trabalha há 60 anos pelo bem-estar de pessoas com deficiência física. Ela nasceu do sonho de um médico que queria criar no Brasil um centro de reabilitação com a mesma qualidade dos centros que conhecia no exterior, para tratar crianças e adolescentes com deficiências físicas e reinseri-los na sociedade. Foi pensando nisso que o Dr. Renato da Costa Bomfim reuniu um grupo de idealistas e, no ano de 1950, fundou a AACD.

No começo, a entidade funcionava em dois sobrados alugados na Rua Barão de Piracicaba, na cidade de São Paulo. Mas graças à colaboração dos primeiros doadores, a AACD pôde fundar seu primeiro centro de reabilitação num terreno doado pela Prefeitura, na rua Ascendino Reis.

Missão: promover a prevenção, habilitação e reabilitação de pessoas com deficiência física, especialmente de crianças, adolescentes e jovens, favorecendo a integração social.

Visão: ser a opção preferencial em Reabilitação e Ortopedia para pacientes, médicos, profissionais da área, convênios e apoiadores, e ser reconhecida pelo seu elevado padrão de qualidade e eficácia, com transparência, responsabilidade social e sustentabilidade.

Valores: responsabilidade social, respeito ao ser humano e suas diferenças, ética, qualidade, eficácia, competência e transparência.

Há mais de uma década, a AACD realiza o Teleton, que todo ano reúne artistas, apresentadores e personalidades numa maratona televisiva em busca de doações.

A AACD - Associação de Assistência à Criança Deficiente consolidou-se em seus 60 anos de história como uma das mais reconhecidas entidades filantrópicas do Brasil, especializada no tratamento de deficientes físicos.

Atualmente são realizados mais de 1 milhão de atendimentos por ano em 9 unidades distribuídas pelo país. Esse trabalho de importante alcance social respalda-se na sensibilidade, consciência e participação de muitos brasileiros, que contribuem efetivamente para o funcionamento e desenvolvimento da instituição. Para cumprir nossa missão, contamos com doações espontâneas, realizamos campanhas e projetos, vendemos produtos e firmamos parcerias

Vídeo - Voluntários





Monday, October 25, 2010

Palhaço Do Circo Da Vida





Por: Mateus Cavarzan



Palhaço do Circo da Vida

João Pé Descalço. Moleque de rua. Fome. Miséria. Fugiu do sertão para vida (sub)urbana. Engraxate para sobreviver. Seu maior sonho estava muito longe dali: o grande circo chegara à cidade. Lonas belas e coloridas. Animais diferentes daqueles que conhecia. Leões e elefantes. Crianças, pais e mães. Musica alegre. Flautas e trombetas. Risadas. Malabaristas. Palhaços.


João Sonhador. Sem pai nem mãe. Vida difícil. Entregador de compras. Engraxate nas horas vagas. Vida corriqueira. De vez em quando ficava a admirar as estrelas do céu. As contava. As tocava. Sentia aquele vento frio na calada da noite enquanto voava para bem longe. Voava junto as estrelas do céu índigo da noite. Aquela imensidão do universo o acolhia. Alimentava ali seu grande sonho: ser palhaço.


João Adulto. Trabalho dobrado. O pequeno engraxate de calça curtas transformara-se num operário. Trabalho suado. Braços fortes. Camiseta suja. Trabalhar e dormir. Dormir e Trabalhar. Não lhe restava tempo para sonhar, nem em seu sono. Carregava nas costas o peso de suas frustrações, de suas não-realizações. Como Atlas, o mundo carregava em suas costas. Dias vão. Dias vêm. Transformara-se então num grande palhaço. Palhaço da vida, lutando para tentar sobreviver neste mundo desumano.

Saturday, October 23, 2010

Seja Você Um Voluntário


1. Todos podem ser voluntários

Não é só quem é especialista em alguma coisa que pode ser voluntário. Todas as pessoas capacidades, habilidades e dons. O que cada um faz bem pode fazer bem a alguém.

2. Voluntariado é uma relação humana, rica e solidária

Não é uma atividade fria, racional e impessoal. É relação de pessoa a pessoa, oportunidade de se fazer amigos, viver novas experiências, conhecer outras realidades.

3. Trabalho voluntário é uma via de mão dupla

O voluntário doa sua energia e criatividade mas ganha em troca contato humano, convivência com pessoas diferentes, oportunidade de aprender coisas novas, satisfação de se sentir útil.



4. Voluntariado é ação

Não é preciso pedir licença a ninguém antes de começar a agir. Quem quer, vai e faz.

5. Voluntariado é escolha

Não há hierarquia de prioridades. As formas de ação são tão variadas quanto as necessidades da comunidade e a criatividade do voluntário.

6. Cada um é voluntário a seu modo

Não há fórmulas nem modelos a serem seguidos. Alguns voluntários são capazes, por si mesmos, de olhar em volta, arregaçar as mangas e agir. Outros preferem atuar em grupo, juntando os vizinhos, amigos ou colegas de trabalho. Por vezes é uma instituição inteira que se mobiliza, seja ela um clube de serviços, uma igreja, uma entidade beneficente ou uma empresa.

7. Voluntariado é compromisso

Cada um contribui na medida de suas possibilidades mas cada compromisso assumido é para ser cumprido. Uns têm mais tempo livre, outros só dispõem de algumas poucas horas por semana. Alguns sabem exatamente onde ou com quem querem trabalhar. Outros estão prontos a ajudar no que for preciso, onde a necessidade é mais urgente.

8. Voluntariado é uma ação duradoura e com qualidade

Sua função não é de tapar buracos e compensar carências. A ação voluntária contribui para ajudar pessoas em dificuldade, resolver problemas, melhorar a qualidade de vida da comunidade.



9. Voluntariado é uma ferramenta de inclusão social

Todos têm o direito de ser voluntários. As energias, recursos e competências de crianças, jovens, pessoas portadoras de deficiência, idosos e aposentados podem e devem ser mobilizadas.

10. Voluntariado é um hábito do coração e uma virtude cívica

As formas de ação voluntária são tão variadas quanto a criatividade do voluntário e as necessidades da comunidade.

Veja como você pode participar e onde pode desenvolver suas ações.
Existem ações voluntárias:

* Nas igrejas

* Nos bairros e nas comunidades populares (ajuda mútua)

* Nos grupos de auto-ajuda

* Nos clubes de serviços

* Em programas promovidos por empresas

* Nas comunidades de origem

* Nas associações profissionais

* Nos hospitais e outras instituições que trabalham na área da saúde

* Nas instituições e programas de melhoria da educação

* Nas instituições de ajuda a crianças

* Nas instituições e programas voltados para as pessoas portadoras de necessidades especiais

* Nas instituições e programas que trabalham com pessoas da terceira idade

* Nos grupos e associações de jovens

* Nos grupos e organizações de preservação do meio ambiente

* Nos grupos e organizações de defesa de direitos

* Nos grupos e movimentos de luta contra a violência

* Nos clubes e associações esportivas

* Nos grupos e associações culturais e de defesa do patrimônio

* Nos movimentos de luta contra a pobreza

* Em iniciativas de ajuda mútua e prestação de serviço através da internet

* Em programas promovidos por órgãos governamentais nos níveis federal, estadual e municipal

APAE - Você pode fazer a diferença


A missão da APAE de São Paulo é “Prevenir a deficiência, facilitar o bem-estar e a inclusão social da pessoa com deficiência intelectual”.

A APAE de São Paulo é referência nacional e internacional em prevenção, tecnologia e inclusão de pessoas com deficiência intelectual, do nascimento à fase de envelhecimento.

O trabalho da Organização é baseado no tripé prevenção, inclusão e tecnologia.


APAE Brasil e UniAPAE

A APAE de São Paulo participa de um movimento de mais de 2.000 unidades no Brasil, liderado pela Federação Nacional das APAEs. Sua missão é promover e articular ações de defesa dos direitos das pessoas com deficiência e representar o movimento perante os organismos nacionais e internacionais, para a melhoria da qualidade dos serviços prestados pelas Apaes, na perspectiva da inclusão social de seus usuários.
A Uni APAE - Universidade Rede APAE - tem o objetivo de produzir e sistematizar novos conhecimentos sobre a deficiência intelectual e múltipla, compartilhando-os com as famílias, dirigentes, profissionais e pessoas com deficiência da Rede Apae, para buscar e manter a excelência de sua organização e de seus serviços, de forma a contribuir para a defesa dos direitos das pessoas com deficiência.

Você conhece a cidade onde vive?



Extremos de riqueza e pobreza em São Paulo

Difícil entrar em ação no dia-a-dia


Por: Mateus Cavarzan

Como eu matei um garoto

A chuva caía freneticamente lá fora. Era gostoso ouvir aquele som; a chuva batia na janela emitindo aqueles sons abafados, irreproduzíveis, até nostálgicos, porém sobretudo aconchegantes que sempre me deixam com vontade de sentar na frente da lareira tomando um bom chocolate quente. Fazia muito frio naquele domingo. Olhei para a janela enquanto subia as escadas rolantes e fiquei a admirar a perfeita harmonia da chuva que molhava a praça em frente da livraria que estava. Enfim cheguei à seção que buscava: literatura estrangeira. Lá estava eu como uma criança em um parque de diversão; passava meus finos, longos dedos nos inúmeros livros que me rodeavam, os sentia, os tocava, os cheirava... inalava aquele odor fresco de tinta e papel nas minhas mãos. Minha expressão um tanto eufórica chocava as pessoas ao meu redor, porém aquilo de nada me valia pois estava eu focado naquele momento, naquele meu mundinho literário que acabara de abrir seus portões dourados à mim. Meus olhos passavam de Lewis para Orwell, de Orwell para Twain, de Twain para Kundera e voltavam de novo à Austen, enquanto um pilha de livros se acumulava ao meu lado. Meus dedos ansiavam por mais e mais, famintos como lobos! Sentei no chão e cruzei as pernas. O momento havia chegado e eu o sabia; tinha que escolher qual levar e simplesmente não havia nenhum critério senão um: o preço. Desde de criança sempre me fascinou aquelas máquinas onde se lê o código de barras de um livro e o preço aparece na tela. Até aquele barulhinho me deixa mais agitado, com vontade de comprar mais. Depois de fazer uma rápida consulta dos preços, fiquei em dúvida entre dois; olhava para um e depois para o outro, regressava um à estante mas o pegava novamente, olhava a capa e as orelhas e não conseguia escolher. No final das contas acabei levando os dois e saí triunfante da seção de livros em direção ao caixa para pagar. De novo veio aquele beep e apareceu na tela o total a pagar: R$75, 90. Abri minha carteira e tirei duas notas de cinqüenta como se fosse a coisa mais normal do mundo. Coloquei os livros em uma sacola de plástico e caminhei em direção à porta sorrindo e orelha à orelha.
Ainda chovia quando saí da livraria em direção ao estacionamento e foi então que o vi. Aqueles olhos fitaram-me de uma maneira assustadora; não sabia o que fazer ou como agir. Lá estava aquele menino com pé descalço sentado no banco olhando para mim. Suas roupas estavam encardidas, rasgadas e molhadas e seu olhar era inexpressivo. Seus olhos diziam, gritavam algo. Medo, fome, miséria e tristeza tudo ao mesmo tempo. Minha reação foi instantânea; virei meu rosto para o outro lado e desviei meu olhar. Porém sentia, mesmo de costas, aqueles olhos em mim; rezava para que a fila andasse mais rápido e pudesse pagar o estacionamento o mais rápido possível. Fiquei imaginando como ele havia chegado ali. Teria entrado para abrigar-se da chuva? Ou teria dormido ali mesmo naquele banco gelado e duro durante a noite? Sua mãe teria lhe obrigado a estar ali para mendigar por alguns trocados? Que fim teria este dinheiro? Drogas? Armas? Sexo? Cocei minha garganta e comecei a bater meu pé impacientemente no chão – um hábito que tenho quando estou nervoso e impaciente – e tentei pensar nos livros que estava prestes a começar a ler. Mas, não pude continuar por muito mais. Me sentia mal, infeliz e irritado. Irritado? Irritado com quem? Enfiei minha mão na sacola e senti com a palma da minha mão a capa dura dos livros que comprara – movimentos todos acompanhados por aquele par de olhos – e abri a sacola para poder ver os livros sem tirá-los da sacola. Será que aquele menino tinha alguma vez na sua vida freqüentado uma escola? Ter pelo menos tocado em um livro de capa dura que jamais pertencera a alguém, que tivesse até cheiro de novo? Ou pais que lhe dariam dinheiro para comprar o que quisesse? Só pude pensar em uma única palavra, uma que descrevia precisamente como estava me sentindo, uma que também descrevesse minhas ações e meu comportamento, uma que provocava dor ao pronunciá-la: hipocrisia.
Quando falamos em pobreza sempre – coisa que já se tornou um vício para mim - penso nas crianças passando fome na África. É sempre a mesma imagem. Uma criança negra com um corpo deformado. Pode-se ver até sua fraca estrutura óssea através de sua pele escura e muitas vezes possuem uma barriga um tanto arredondada causada pela ingestão de comida e água contaminadas cheias de bactérias e protozoários. Mas é necessário ir tão longe, ir para outro continente para encontrar miséria? Não. Há miséria ao redor de mim. Não há um dia sequer que não passo por uma avenida e não vejo mendigos na sarjeta. Não há um único dia que em meu trajeto para escola não vejo uma favela. Então por que penso em um lugar distante enquanto há a presença da pobreza diariamente na minha vida? Somos, querendo ou não, todos hipócritas. Falamos, combatemos, lutamos contra a pobreza, porém somente no âmbito ideológico. Temos várias oportunidades todos os dias de ajudar ao próximo. Chegamos a atuar? Bem, isso já é outra conversa. Há coisas que compro por mero luxo. Troco de Ipod quase todo ano, toda semana compro um livro novo, mal saiu um jogo para PS3 e já o tenha na minha estante e a lista se prolonga e prolonga. Será que esqueço que com menos de 10 dólares mensais posso garantir que uma criança tenha uma adequada alimentação e acesso à saúde na África quando compro um novo livro? Que a cada 4 segundos uma criança morre na África? Quantas crianças já matei então apenas comprando livros? O pensamento me assombra, me dá calafrios. Penso nos inúmeros cadáveres que assombram a minha estante; no sangue em minhas mãos e caio em uma profunda melancolia.
Finalmente chegou a minha vez e paguei rapidamente o estacionamento. Entrei no carro e fechei a porta. Naquele momento, ali dentro do carro, ali olhando para os pingos de chuva que batiam na janela soube o que tinha feito, soube que no momento em que tranquei a porta, no momento em que virei meu rosto, tinha feito algo terrível. Tinha matado um garoto.